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Acidentes de trabalho somam mais de 2,5 milhões de casos no Brasil
Thursday, May 29, 2008 :: 11:35 AM
Publicado por hernani.soares :: 1665 Visualizações :: Notícias
Dados como este, fazem parte do cotidiano de muitos trabalhadores da saúde no Brasil, os quais, segundo dados do Ministério da Saúde, somam mais de 2,5 milhões. Funcionários estressados, sobrecarga de trabalho e baixos salários se somam a este panorama, reconhecido pelos especialistas como estado de “precarização” do trabalho na área de saúde. Não são raros os exemplos de profissionais de saúde acometidos por doenças respiratórias, musculoesqueléticas e mentais, dentre outras.

V. L. S., enfermeira, 29 anos de idade, teve perda parcial de três dedos da mão direita quando operava um equipamento sem a devida instrução. Conforme conta, naquele dia outra profissional faltou ao trabalho e ela foi colocada em seu lugar para manusear a máquina, sem ter sido esclarecida sobre os riscos que corria para a realização da tarefa. O laudo pericial atestou que a lesão fez com que a enfermeira tivesse a sua capacidade laborativa reduzida, e que, dificilmente, conseguirá ser recolocada no ambiente de trabalho com a lesão irreversível que sofreu.

Inerentes ao trabalho

De acordo com pesquisas, entre os profissionais de saúde, que mais adoecem são os trabalhadores braçais (cozinha, lavanderias e serviços de transporte) - profissionais que desenvolvem trabalho muscular intenso e movimentos repetitivos - e ainda os profissionais de enfermagem. Os médicos, por exemplo, apresentam os menores índices de absenteísmo. Para o médico do trabalho Geraldo Garcia Primo, o próprio objeto de trabalho do profissional da saúde interfere no absenteísmo. “Profissionais de outras áreas trabalham normalmente, mesmo com uma gripe ou resfriado, já no caso da saúde, isso não é possível, principalmente para um profissional que atua numa enfermaria com imunodeprimidos, por exemplo”, destaca.

De acordo com o especialista, os altos índices de acidentes com o pessoal da enfermagem se devem principalmente à natureza do trabalho. Em seu consultório a procura maior é por pacientes que sofrem com lombalgias, doenças nos membros superiores, além do estresse de lidar com o sofrimento e muitas vezes com a morte.

A área da saúde é uma das que lideram no ranking de acidentes. Somente no primeiro trimestre de 2008, já foram registrados 183 comunicados de acidentes de trabalho (CATs) em Curitiba e região. Apesar de que muitos acidentados não preenchem o documento como se deveriam, prejudicando tais estatísticas e podendo ocasionar quadros muitas vezes irreversíveis no dano ao trabalhador.

Para conseguir registrar o acidente, o empregado precisa provar que sua lesão foi decorrente exclusivamente do seu trabalho, uma vez sendo comprovado seu acidente ou doença ocupacional, a empresa é obrigada a registrar o comunicado. Os dirigentes do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc) lembram que o CAT é um direito do trabalhador e a empresa não pode negar isso a funcionário nenhum.

 

Custo de doenças crônicas vai crescer no Brasil

São Paulo/SP - O custo de doenças crônicas no local de trabalho no Brasil, como problemas do coração, câncer, diabetes e doenças respiratórias, pode alcançar US$ 9,3 bilhões por ano em 2015, de acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fórum Mundial de Economia (FME). A despesa era estimada em US$ 2,7 bilhões em 2005. A perda de renda acumulada é calculada em US$ 49,2 bilhões entre 2005-2015, incluindo queda de produtividade e aumento de custos das doenças entre os empregados.

As conseqüências econômicas de doenças crônicas no trabalho são dramáticas globalmente. Para os dois maiores países do mundo, a fatura é gigantesca, de US$ 131,8 bilhões na China, e US$ 54 bilhões na Índia.

O relatório sobre "Prevenção de doenças não transmissíveis no local de trabalho através de dieta e atividade física" foi apresentado ontem, à margem da abertura da Assembléia Mundial de Saúde. Um grupo de 16 multinacionais lançou apelo para que os governos e as empresas promovam programas de saúde nos locais de trabalho para reduzir os riscos de mais mortes por causa de doenças crônicas. Essas doenças são responsáveis por mais de 60% de todas as mortes globalmente. A projeção divulgada ontem é de que vai chegar a 47 milhões de mortes anualmente nos próximos 25 anos.

Segundo o relatório, exemplos tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento sobre programas de saúde no emprego mostram que os riscos podem ser reduzidos com atividades que proíbam o tabaco e orientem a alimentação dos empregados e sua atividade física. Sobretudo, esses programas não são custosos, como podem reduzir as despesas com seguros de saúde, melhorar a produtividade, manter o capital humano e construir um "negócio sustentável".

De acordo com a OMS, problemas causados pelas doenças crônicas não estão limitadas a países ricos ou populações idosas. O problema cresce ainda mais rapidamente nos países de baixa e média renda. Quase metade dos mortos por doenças crônicas estava nos seus melhores anos de vida produtiva.

O relatório indica que os países que integram o chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia s China) perdem mais de 20 milhões de vidas produtivas anualmente por causa de doenças do coração, câncer etc, tudo que poderia ser evitado com atividades mais saudáveis.

As multinacionais envolvidas no projeto para estimular implementação global de programas de saúde no trabalho são ArcelorMittal, Pepsi Cola, Nestlé, Unilever, Becton Dickinson, BT Group, Discovery Holdings, Eskom, General Mills, Humana, Pfizer, PricewaterhouseCoopers e Pitney Bowes.
      
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