
Foto Divulgação Hanna Wajsfeld
A professora de Ciências Políticas da UFF, Maria Antonieta Leopoldi, mostrou no “Regimes regulatórios e Governança Corporativa. A lei Sarbannes-Oxley e suas Repercussões” que, mesmo em nações desenvolvidas, casos de gestões inadequadas afetam não só os funcionários como a população em geral, por fazerem parte de uma macroeconomia. Como exemplo, citou as corporações Enron e Worldcom em que, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos, crises internas culminaram em suas falências devido a erros de administração. A Enron, conforme relatou a professora, precisou deixar de ser uma organização ultra-liberal para se enquadrar na Lei Sarbannes-Oxley. Quando os órgãos públicos passaram a regulamentar as ações da empresa, descobriram a prática de atos corruptos, não só no país americano, como também em outras regiões do mundo. Para se enquadrar na lei, a instituição teve que seguir as normas e promover ações de responsabilidade social corporativa, governança, transparência, políticas de inclusão e accountability (a capacidade de prestar contas e de assumir a responsabilidade sobre seus atos e uso de recursos).
Eduardo Gadret, do Inmetro, apresentou “O princípio da transparência e seu efeito sobre a competitividade: superando barreiras técnicas e de informação ao comércio”. Em sua avaliação, a capacidade dos governos trocarem informações sobre medidas normativas (normas e regulamentos técnicos e procedimentos de avaliação de conformidade) aumenta a confiança, reforça a estabilidade do sistema multilateral de comércio e ajuda a reduzir barreiras comerciais. O princípio da transparência aumenta a competitividade.
Ricardo Duarte, da Embratel, apresentou o trabalho “ A transparência através da gestão de riscos e dos controles internos”, um estudo de caso da governança corporativa da operadora de telefonia. Para ele, a compreensão, a internacionalização e o exercício da governança corporativa estão entre os mais importantes desafios dentro de uma empresa. Destacou pontos que são fundamentais para a gestão com responsabilidade, como: transparência (administração tem a obrigação de informar); equidade (sócios minoritários e os cargos passam a ter representação); accountability (prestação de contas da gestão e responsabilidade social corporativa (sustentabilidade).
Raquel Chrispim, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), disse que a transparência é crucial para o bom andamento do mercado. De acordo com a pesquisa realizada pela Price Waterhouse, em 2002, o Brasil perdeu mais de 40 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos no ano anterior, devido a normas confusas, não-transparência e corrupção. O Banco Mundial afirmou que os países mais corruptos pagam mais caro por empréstimos.
No âmbito das relações interpessoais, o professor Cid Alledi Filho, do Latec-UFF, com o trabalho “Transparência nos negócios a partir do diálogo”, destacou três itens para o tema em debate: o observador, o objeto a ser observado e um método para observar. Afirmou que o formato circular e uma mesa de reuniões servem para o encontro de idéias e o compartilhamento de responsabilidades. Um formato em que os indivíduos que compõem a organização interagem com o cargo mais alto, criando assim um fluxo de informação, por meio do diálogo. Mais informações sobre o uso do diálogo nas organizações podem ser vistas no site http://participametro.googlepages.com/.